Sete estratégias para lucrar no setor de alimentação saudável

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Entenda as razões que fazem o setor ser promissor e quais os aspectos que a empresa precisa considerar para crescer nesse ramo

Quando até mesmo grandes redes de fast-food como o McDonald’s começam a destacar a salada em seu cardápio, é sinal de que uma grande mudança está em curso no mercado de alimentação. Na verdade, já faz algum tempo que a preocupação com a saúde influencia o menu de muitos restaurantes, mas a tendência ganhou força e agora, de acordo com a opinião de especialistas, consolida-se como o caminho mais seguro para quem pretende empreender com sucesso no segmento.

Entenda por que o setor é promissor e quais os aspectos que a empresa precisa considerar para crescer nesse ramo:

1. Saúde é a maior preocupação na hora de comer

Pesquisa sobre hábitos alimentares, realizada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) com três mil pessoas de várias idades e classes sociais, comprova: na hora de comer, a principal preocupação dos entrevistados é com a saúde. Praticidade e prazer também compõem a lista de prioridades dos brasileiros à mesa.

Muitos fatores ajudam a explicar o fenômeno. O aumento da renda, o crescimento da obesidade, o estilo de vida estressante e sedentário dos moradores das grandes cidades e até mesmo a preocupação em seguir um padrão de beleza que associa magreza à saúde são algumas das justificativas para a crescente busca por refeições balanceadas, gostosas e rápidas. Além disso, hoje todo mundo sabe que a ingestão de alimentos gordurosos está diretamente ligada ao surgimento de algumas doenças.

2. Idade é fator fundamental para mudança de hábitos

Lívia Barbosa, coordenadora do Centro de Altos Estudos da ESPM, destaca ainda que a população com mais de 56 anos adota dietas balanceadas de forma mais frequente. O grupo de entrevistados entre 17 e 24 anos, entretanto, ainda é mais resistente ao cardápio ‘verde’. “As empresas devem considerar que o principal fator de mudança de hábitos alimentares é a idade. Um casal sem filhos vai mais a restaurantes e faz refeições menos saudáveis. Mas quando as crianças chegam, esse perfil muda”, explica Lívia.

3. Mercado de alimentos saudáveis vai crescer rápido

Dados da consultoria Euromonitor projetam que, em 2014, as vendas de bebidas e alimentos industrializados relacionados com saúde e bem-estar deverão movimentar US$ 21,5 bilhões no Brasil. A culinária saudável ganhará mais adeptos no País, por isso, o negócio que apostar desde agora nesta tendência pode enfrentar menos concorrência para se estabelecer e crescer. “Cada vez mais, as pessoas vão preferir comprar de empresas que se preocupem verdadeiramente em melhorar a vida de seus clientes”, avalia Ricardo Daumas, diretor da área de foodservice  da consultoria GS&MD – Gouvêa de Souza.

4. Informar bem o cliente é fundamental

“Quem montar agora um negócio no ramo terá de educar os consumidores sobre a importância da alimentação saudável. Só assim o mercado pode crescer mais rápido”, analisa Daumas. O site Dieta Bistrô, aberto em outubro de 2011, fez da comunicação sua principal estratégia para conquistar a confiança e a preferência dos clientes.A empresa, criada por Raimundo Lima Junior e Bianca D’Ippolito, entrega pratos saudáveis e elaborados em domicílio. O cliente pode escolher seis dietas: balanceada, vegetariana, kosher, celíaca (sem glúten), low carb ou de baixo índice glicêmico.

Mas para que os clientes percebessem todos os atributos do produto e pagassem R$ 99,90 por cinco refeições, os empresários tiveram de estudar como seria o design e a navegabilidade do site, detalhar as informações de cada prato e iniciar um trabalho constante de divulgação de informações nas redes sociais – um blog ainda está por vir.“Nós compartilhamos dados sobre gastronomia, nutrição, bem-estar e tudo mais que possa interessar aos nossos clientes”, conta Lima Junior. “Isso ajuda a divulgar a nossa marca.”

5. Público que consome produtos saudáveis já está mais amplo

Quem está há mais tempo no setor já percebe mudanças que indicam um grande potencial de crescimento do ramo. Afinal, quando o empresário Marcelo Ferraz criou, em 2003, a rede de restaurantes Wraps, o mercado era bem diferente. Havia poucas opções de refeições leves e não se comercializava o wrap (espécie de sanduíche enrolado) no País. Com clima descontraído, seu restaurante atraía um público mais jovem. Mulheres, principalmente.

Mas isso mudou. “Basta olhar as mesas e notar a presença quase igualitária dos homens e também de pessoas mais velhas. Meu público se ampliou”, afirma Ferraz. Outra mudança se deu na frequência com que os clientes comparecem aos nove restaurantes mantidos pela rede. No início, o Wraps parecia vocacionado a ser um bom programa de fim de semana. “Hoje as pessoas saem do trabalho e vêm almoçar aqui regularmente. A alimentação saudável entrou na rotina delas”, observa o empresário.

6. Salada no prato não é sinônimo de refeição saudável

Muito embora as saladas estejam em alta, não basta ao interessado em abrir um negócio no ramo colocar alimentos ‘verdes’ no menu para que os pratos sejam considerados saudáveis. “É preciso elaborar um cardápio a partir de conceitos nutricionais, que possibilitem uma alimentação equilibrada. Além disso, a empresa deve ter consistência, e não apenas se valer da imagem de ‘verde’”, define Sergio Bocayuva, presidente do Mundo Verde, rede com 25 anos de atuação no mercado.

7. Boa imagem e coerência são fundamentais para o sucesso

Para Bocayuva, só o discurso não basta. Ao selecionar um franqueado para a sua rede, ele examina a identificação do futuro empresário com o conceito do negócio. “Um candidato fumante, por exemplo, não nos interessa”, diz o empreendedor. Além disso, o público que hoje consome refeições saudáveis fora de casa é formado em sua maioria por consumidores das classes A e B. São pessoas informadas, capazes de perceber as contradições de uma empresa que adere à onda verde por puro modismo.

“Mas mesmo os consumidores da classe C, que hoje já se interessam por esses produtos, também são criteriosos. E isso só deve se intensificar”, acredita Bocayuva. Além disso, os produtos saudáveis costumam ser mais caros que os demais alimentos, o que aumenta a exigência dos clientes na hora de comprá-los. “A transparência é tudo neste ramo”, conclui.

Fonte: O Estado de S.Paulo – 25/01/2012

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