Custos fixos e variáveis de um restaurante: passo a passo para reduzir

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Quem empreende no ramo da alimentação tem na gestão financeira um desafio diário. No início, lidar com números pode assustar, mas tem solução. Conhecer os custos fixos e variáveis de um restaurante é o primeiro passo para organizar o caixa, planejar as compras, reduzir gastos e evitar prejuízos que ameacem o crescimento ou mesmo a continuidade dos negócios.

Principais custos fixos e variáveis de um restaurante

A seguir, vamos entender quais são os principais custos fixos e variáveis de um restaurante e conferir dicas para apertar os gastos em cada um deles. As orientações são de José Carlos Lucentini, mestre em Controladoria e Contabilidade Estratégica e autor dos livros Gestão Operacional de Preços e Custos em Restaurantes (2014) e Gestão, Economia e Finanças na Alimentação (2015), da Editora Livre Expressão.

Custos fixos se repetem todo mês

As despesas nessa categoria não se diferenciam nos restaurantes daquelas aplicadas à média das micro e pequenas empresas. Ao contrário dos custos variáveis, que mudam conforme a produção e as vendas, os fixos se mantêm, independentemente se foram negociadas 400 ou 500 refeições diárias, por exemplo. Conheça os principais:

Aluguel

 

Com o restaurante já instalado, é muito provável que o gasto com aluguel (e talvez condomínio) represente uma despesa significativa no seu orçamento. Afinal, ter um ponto comercial bem localizado, com espaço físico suficiente para comportar toda a estrutura (entre estoque, produção e atendimento) e em condições atrativas ao público tem seu preço.

Você pode tentar negociar os valores e utilizar bem seus argumentos para isso, mas não há garantia de sucesso. A melhor estratégia para reduzir custos com essa despesa está na escolha do local. O espaço precisa responder ao que o empreendimento necessita – nada além ou aquém disso. Seu atual ponto segue esse requisito?

Contas básicas

 

Os valores a cada mês até mudam um pouco, mas esse é um custo fixo, pois não há como fugir das despesas com água, luz, telefonia, internet e televisão por assinatura, se for o caso. Cada fatura tem uma data de vencimento e, se não houver o devido controle das contas e um pagamento for esquecido, no período seguinte arca-se com os juros.

Se você quer implantar uma redução de custo nas contas básicas, há dois caminhos: primeiramente, negocie com as operadoras, verifique se há pacotes mais acessíveis e, no caso da televisão, se há como cortar canais para diminuir o tamanho da despesa; em segundo lugar, adote e estimule práticas de consumo consciente, poupando água e energia elétrica – o que se refletirá nas cifras cobradas.

administrando restaurantes

 

Salário e benefícios

 

A folha de pagamento está entre os custos fixos mensais mais importantes em um restaurante. Afinal, como define Lucentini, o investimento em mão de obra é fator-chave para um colaborador motivado e um cliente satisfeito, dobradinha imprescindível para o sucesso de um empreendimento no ramo alimentício.

No salário, não há como economizar: é preciso se adequar ao mercado. Mas essa não é a única despesa. O vale-transporte, por exemplo, pode representar até 14% da folha de pagamento se o colaborador depende de várias conduções para chegar ao trabalho. Já o convênio médico, quando ofertado, pode sofrer reajustes de até 25% ao ano, afetando o faturamento. Pesquise para encontrar a solução mais em conta.

Custos variáveis são relacionados à matéria-prima

Os alimentos são a matéria-prima do seu negócio. Ainda que compre a mesma quantia todos os meses, esse será um custo variável, pois seu preço está sujeito às mais diversas influências, das econômicas às climáticas.

Enquanto a inflação oficial fechou 2015 em 10,67%, os itens de gênero alimentício, dependendo da região do país, estão entre 13% e 18% mais caros. Já produtos como feijão e leite sofreram reajustes que se aproximam dos 50% no ano, lembra Lucentini. A carne bovina também, a depender do tipo de corte utilizado na sua cozinha.

O que acontece na prática é que o preço das matérias-primas no segmento de alimentação é puxado por mais de um tipo de inflação, além da tradicional, medida por órgãos federais. A chamada inflação climática é bastante conhecida: chuva e frio resultam em perda de qualidade e alta no custo. Já a inflação por demanda, conforme Lucentini, ocorre quando o preço de determinado produto se eleva em razão de uma data comemorativa, como o peru de Natal.

A forma como o cardápio é montado também é determinante no faturamento. Restaurantes comerciais, do tipo bufê, que atuam no varejo, estão mais sujeitos a essa particularidade do que aqueles voltados à coletividade, que servem refeições a empresas. Como exemplo, ele cita que a maior participação de carne bovina gera um custo mais alto do que se o estabelecimento privilegiasse pratos com frango.

Para reduzir gastos com matéria-prima, a sugestão é que o responsável pelas compras do restaurante – que pode ser o próprio dono – faça uma projeção de vendas, ou seja, de refeições servidas, por tipo de prato e os componentes das receitas.

O planejamento ideal é aquele que é realizado com pelo menos 30 a 45 dias de antecedência. “No momento em que identifica o que vai comprar, percebe tendências de preços de matéria-prima”, diz. É com essa informação que pode providenciar substituições, como a do feijão moreninho pelo preto ou mesmo pela lentilha, por exemplo.

Combata as fontes de prejuízo

Da escolha de fornecedores à gestão do estoque, várias são as possíveis fontes de prejuízo em um restaurante. Planejamento e controle são as armas do empreendedor para reduzir perdas.

A primeira ameaça ao caixa está na compra e recebimento da matéria-prima. Sem conhecimento sobre a mercadoria, você pode comprar um produto e receber outro. Lucentini dá como exemplo o tomate: os frutos visíveis na caixa podem ser do tipo mais nobre e caro, como você escolheu, mas logo abaixo terem sido substituídos por outros mais baratos e de menor qualidade e durabilidade. Se não identificar, é prejuízo na certa.

Quer mais um exemplo? Analise o frango que chega congelado até o seu restaurante: qual a quantidade de gelo que acompanha o produto e afeta o seu peso? Você pode estar pagando por algo que não recebeu e, de quebra, adquirir uma quantia de carne insuficiente para atender ao seu planejamento.

No estoque, a situação é igualmente delicada. Em serviços de alimentação, o desafio é controlar a alta rotatividade para não faltar matéria-prima e evitar o desperdício de alimentos com menor saída. Além de integrar o estoque ao seu registro de vendas, outra boa prática é fazer uma inspeção física rotineira (leia-se diária).

Se parece um tanto exagerado, fique com o alerta de Lucentini: apenas os hortifrutigranjeiros podem representar 25% do custo, pois são os itens mais suscetíveis ao desperdício (as carnes vêm logo em seguida). “Muitas vezes, o empresário tem mais dinheiro em estoque do que no banco. O seu cofre está ali”, compara.

Controle é vital na gestão de um restaurante

Os desafios de gestão em um restaurante ou serviço de alimentação são muitos. Como você pôde ver neste artigo, há variáveis diversas que incidem sobre os custos, exigindo uma organização financeira rígida por parte do empresário.

Na hora de controlar seu caixa e integrar processos, pode ser válido recorrer a um sistema informatizado de gestão, o que otimiza tempo e permite acompanhar de maneira mais fácil a realidade das suas finanças e do seu estoque.

Converse com seu contador, mas não abdique de suas obrigações como empreendedor. Se ter um restaurante de sucesso é uma meta, você precisa entender e acompanhar os detalhes da administração do negócio.

Fonte: https://blog.contaazul.com/custos-fixos-e-variaveis-de-um-restaurante-passo-a-passo-para-reduzir

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